De onde vêm os preços do portal da DGEG?
O portal Preços dos Combustíveis Online foi criado pelo Decreto-Lei n.º 243/2008, de 18 de dezembro, e cobre os postos de abastecimento de combustíveis para veículos rodoviários do território continental. Mostra o preço de cada combustível, a localização, o horário e os serviços de cada posto.
Quem manda no que lá está é o posto, não a DGEG. A própria DGEG diz que a atualização dos preços disponível no portal é da responsabilidade dos titulares da licença de exploração dos postos. E diz também que qualquer alteração de preço é de comunicação obrigatória antes de ser aplicada, com indicação do respetivo dia e hora da sua entrada em vigor. Este regime aplica-se ao território continental.
Na prática, isto significa que os dados são oficiais no sentido de estarem num portal do Estado, mas vêm de quem vende. É por isso que vale a pena ler cada valor com um pouco de contexto.
O que quer dizer a hora que aparece junto do preço?
Cada preço vem com uma data e uma hora. Nas nossas páginas aparece como "Comunicado a": é a data e a hora que o portal da DGEG associa àquele preço, e lemos isso como o momento em que o posto comunicou o preço. Atenção a uma distinção: a lei fala do dia e da hora em que a alteração entra em vigor, mas as páginas da DGEG que consultámos não definem com precisão o campo que o portal nos devolve, por isso esta é a nossa leitura e não uma definição oficial.
Duas consequências úteis. Primeiro, a hora diz-lhe quando aquele posto mexeu pela última vez no preço, não quando o preço foi verificado. Um preço que se mantém há dias pode estar perfeitamente correto, porque o posto só tem de comunicar quando muda. Segundo, dois postos vizinhos podem ter horas muito diferentes, porque cada um comunica quando altera o preço, e não em sincronia.
Mostramos a hora nas páginas de preços de hoje (como /combustivel/gasoleo/, as páginas de distrito e as de concelho) e na ficha de cada posto, onde aparece como a última comunicação de preço à DGEG. Nas páginas que agregam vários postos, a hora indicada é a mais recente entre os postos que está a ver, e não a de cada preço em particular. Não é a hora a que a página foi gerada.
Qual é a diferença entre mediana e média?
A média soma todos os preços e divide pelo número de postos. A mediana é o preço do posto do meio, depois de os ordenar do mais barato para o mais caro: metade dos postos vende abaixo desse valor e metade acima. Se houver um número par de postos, a mediana é a média dos dois do meio, e pode por isso ser um valor que nenhum posto pratica.
A diferença nota-se quando há valores fora do normal. Imagine cinco postos de uma mesma zona: quatro com preços muito parecidos e um, numa área de serviço de autoestrada, claramente mais caro. A mediana continua a ser o preço do terceiro posto, aquele que descreve o que a maioria cobra. A média sobe, porque o posto caro puxa a conta para cima.
É por isso que nas páginas de preços de hoje usamos a mediana, e mostramos junto dela o mínimo e o máximo. A mediana diz-lhe o preço habitual, o mínimo diz-lhe o melhor que existe, e o intervalo entre os dois diz-lhe quanto há para poupar.
Porque é que o preço médio da DGEG não coincide com a mediana do site?
São dois indicadores diferentes e respondem a perguntas diferentes. Na página /historico/ mostramos os preços médios diários que a DGEG publica, sem descontos e com descontos como cartões de frota, porque são as séries oficiais que permitem comparar dias, semanas e meses. Nas páginas de preços de hoje, como /combustivel/gasoleo/, calculamos a mediana dos preços que os postos tinham no portal da última vez que o lemos. Lemos os dados da DGEG cerca de uma vez por hora.
Por isso os dois números não coincidem ao cêntimo, e não há nada de errado nisso. Um é um preço médio diário publicado pela DGEG, o outro é uma mediana nossa feita com a fotografia mais recente dos postos.
Sobre o cálculo da média, a DGEG explica-o na página do preço médio diário (continente): os preços médios diários são apurados com base nos preços comunicados pelos postos, ponderados com as quantidades vendidas do último período conhecido, e incorporam os descontos praticados nos postos, como cartões de frota e outros. Não é, por isso, uma média simples dos postos, nem o preço afixado: é uma média com descontos, ponderada pelas vendas. É essa a série com descontos de /historico/. Nos dados que a DGEG disponibiliza há também uma média sem descontos, mais próxima do preço afixado nas bombas, que mostramos ao lado.
O estudo da ERSE usa um indicador da DGEG, o preço com descontos, calculado considerando os descontos abrangidos pela respetiva metodologia, e acrescenta um aviso: esse indicador não corresponde a uma média das transações efetivamente realizadas, nem ao preço médio ponderado de todos os litros vendidos. Bate certo com a explicação da DGEG, que pondera com as quantidades vendidas do último período conhecido e não com os litros vendidos naquele dia. Já o preço de pórtico, segundo a ERSE, é a média dos preços de venda ao público comunicados pelos operadores através do Balcão Único da Energia, antes de qualquer desconto.
Uma leitura nossa, e não da ERSE: uma média nacional serve para acompanhar a tendência, mas não substitui o preço do posto onde vai abastecer.
Os descontos de cartão aparecem nos preços do portal?
O portal mostra o preço que o posto comunicou, que é o preço anunciado. A ERSE define o preço de pórtico precisamente assim, como o preço antes da aplicação de quaisquer descontos. Não verificámos, posto a posto, se algum preço do portal já inclui descontos, por isso não afirmamos que nenhum inclui. A média diária da DGEG é outra coisa: essa, segundo a própria DGEG, já incorpora descontos como os cartões de frota.
A ERSE sublinha que a generalidade dos consumidores compra combustível com algum tipo de desconto, e que entre 2023 e 2025 o preço com descontos se manteve sistematicamente abaixo do preço de pórtico no gasóleo. Se usa um cartão ou uma aplicação, o seu preço final pode ser diferente do que vê numa tabela de preços.
Quanto se afastam os segmentos de um preço de referência?
O estudo da ERSE não compara marcas, compara três segmentos de oferta: companhias petrolíferas, operadores low cost e hipermercados. Para cada segmento, calcula a diferença entre o preço médio anunciado ao consumidor, com impostos, e o Preço Eficiente da ERSE. Os preços anunciados vêm do Balcão Único da Energia, não do portal da DGEG que usamos aqui. E o Preço Eficiente é um indicador de supervisão calculado a partir dos custos, que, nas palavras do estudo, não corresponde ao preço efetivamente praticado por qualquer operador.
Para o gasóleo simples, entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026, a mediana dos diferenciais semanais foi de cerca de mais 4,2 cêntimos por litro nas petrolíferas, de cerca de menos 6,3 cêntimos nos low cost e de cerca de menos 8,4 cêntimos nos hipermercados. Entre março e julho de 2026, um período de grande volatilidade, estas medianas mudaram: ficaram em cerca de menos 2,0 cêntimos nas petrolíferas, menos 15,5 nos low cost e menos 15,6 nos hipermercados. São valores em cêntimos por litro, e os dados do estudo vão até 27 de julho de 2026, para Portugal continental, por isso não os leia como a situação de hoje.
Estes números dizem quanto cada segmento se afasta de uma referência, não quanto um segmento custa a mais do que outro. Se quer ver como as marcas se comparam no dia em que vai abastecer, a página /marcas/ mostra a mediana de cada marca com postos suficientes para a comparação fazer sentido.
Porque é que o preço na bomba manda?
Porque a lei exige que o preço praticado corresponda ao preço comunicado. A DGEG refere a obrigação legal de correspondência entre o preço praticado e o preço comunicado, e é essa obrigação que dá sentido ao portal.
Mesmo assim, entre a mudança de preço no posto e o que aparece no ecrã há sempre um intervalo: a comunicação é feita pelo posto, nós lemos os dados da DGEG cerca de uma vez por hora, e o preço pode mudar entretanto. Pode haver, por isso, um desfasamento entre o que lê aqui e o que está no pórtico.
Quando o preço no pórtico e o preço do site não coincidem, confie no pórtico, que é o que vai efetivamente pagar. Nós mostramos o que o posto comunicou à DGEG e a hora associada. Nunca fingimos que a informação é mais fresca do que é.
Como usar tudo isto no combustivel.com.pt
Para saber o preço habitual do gasóleo hoje, vá a /combustivel/gasoleo/ e olhe para a mediana, o mínimo e o máximo. Para ver como a média mudou ao longo das semanas, use /historico/, que mostra médias diárias e não a hora de cada preço. Para comparar marcas, abra /marcas/. E se quer o posto mais barato à sua volta, experimente /perto-de-mim/. Estas três páginas não mostram a hora junto do preço; a ficha de cada posto sim.
Nas páginas de preços de hoje e nas fichas dos postos, olhe para a hora junto do preço. Ela diz-lhe quando aquele posto comunicou o preço, e um preço antigo pode estar certo. Antes de abastecer, confirme o valor no pórtico, porque o preço pode ter mudado depois da nossa última atualização.





