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Quanto custa carregar um carro elétrico em casa e na rua

A mediana do preço de um carregamento público na rede MOBI.E, lida a 4 de outubro de 2026, e o que isso dá por 100 km. Explicamos o que entra na fatura de um carregamento, calculamos o custo em casa com a tarifa regulada da ERSE para 2026 e mostramos até que ponto a bi-horária compensa. Os números da rede são medianas do preço ad hoc, não o que vai pagar com o cartão de um comercializador.

Mulher a ligar um carro elétrico pequeno a um carregador de parede numa praça de calçada ondulada, com uma criança de trotinete e uma igreja caiada ao fundo

Qual é o custo de carregamento de um carro elétrico?

Na rede pública MOBI.E, a mediana do preço ad hoc é de 0,37 €/kWh, no estado que lemos às 16:04 de 4 de outubro de 2026, em 10.456 pontos com preço por kWh. Nos pontos AC (corrente alterna) a mediana é de 0,34 €/kWh. Nos pontos DC (corrente contínua) abaixo de 150 kW é de 0,49 €/kWh, e nos de 150 kW ou mais é de 0,37 €/kWh. Os 10% mais baratos ficam até 0,10 €/kWh, e o valor mais alto da tabela é 1,22 €/kWh.

É o preço do carregamento ad hoc, ou seja, sem contrato: paga-se no momento, com cartão bancário ou numa app. É o valor máximo de cada componente do tarifário de cada ponto, publicado pela MOBI.E, e inclui IVA. A rede de carregamento tinha nesse dia 18.142 pontos e 90 operadores.

O que estes números são e o que não são

Não são o que vai pagar com o cartão ou a app de um comercializador: aí o preço segue o tarifário do cartão. A própria MOBI.E escreve que o custo de um carregamento ad hoc é «tendencialmente mais elevado» do que o feito com contrato.

Também não são o custo completo. Contamos só a componente por kWh. Há 11.396 pontos que cobram também, ou só, por minuto (mediana de 0,04 €/min), e alguns cobram por carregamento; essas componentes ficam fora das medianas. Outros 228 pontos publicam só zeros e aparecem sem preço, porque não sabemos se zero quer dizer grátis.

E uma mediana é só o valor do meio: metade dos pontos cobra mais. Os preços mais baixos da tabela concentram-se em alguns operadores (a mediana da EDP é de 0,10 €/kWh, em 1.960 pontos), e este valor não inclui o que o ponto cobre por minuto. O preço no carregador manda: confirme-o no posto ou na app antes de ligar a ficha.

Quanto custa fazer 100 km num carro elétrico?

Com um consumo de 17 kWh aos 100 km, 100 km custam entre 5,78 € e 8,33 € à mediana dos pontos públicos, conforme a potência. O consumo é pressuposto nosso, não de um modelo concreto: troque-o pelo do seu carro e multiplique pelo preço do kWh.

  • Pontos AC, a 0,34 €/kWh: 5,78 € por 100 km.
  • Pontos DC abaixo de 150 kW, a 0,49 €/kWh: 8,33 € por 100 km.
  • Pontos DC de 150 kW ou mais, a 0,37 €/kWh (também a mediana da rede): 6,29 € por 100 km.
  • Os 10% mais baratos da rede, até 0,10 €/kWh (só a componente por kWh): 1,70 € por 100 km, sem contar o que esses pontos cobram por minuto.

O que é a MOBI.E e o que entra na fatura de um carregamento?

A MOBI.E é uma empresa pública que, desde 2015, atua como Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME): gere e monitoriza a rede de postos através de uma plataforma que liga postos, operadores e comercializadores. Quem cobra o quê, segundo o seu site, divide-se em três parcelas.

A energia inclui o tarifário do comercializador (CEME), as tarifas de acesso às redes e o imposto especial de consumo de eletricidade, de 0,001 € por kWh no continente. A utilização do posto é o tarifário do operador do ponto (OPC), que pode ser por kWh, por minuto, por carregamento ou uma mistura. Depois vem o IVA, de 23% no continente, aplicado a toda a fatura.

A tarifa EGME, fixada pela ERSE, é de 0,1088 € por carregamento em 2026. É paga pelos comercializadores e pelos operadores, não diretamente por si, mas a ERSE espera que pese entre 3% e 4% do preço final.

Há uma mudança de regime a ter em conta. O regime jurídico da mobilidade elétrica, revisto pelo Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, e alterado pelo Decreto-Lei n.º 155/2026, de 31 de julho, extingue a figura do comercializador: o operador passa a vender a energia a quem carrega. Durante o período transitório, que a MOBI.E dá como definido até 31 de dezembro de 2027, o cartão ou a app do seu comercializador continua a servir na rede ligada à MOBI.E.

Quanto fica carregar um veículo elétrico em casa?

Em casa, com a tarifa regulada da ERSE para 2026 e o mesmo consumo de 17 kWh, 100 km custam 3,46 € na tarifa simples, com IVA a 23%. Para potências acima de 2,3 e até 20,7 kVA, em vigor desde 1 de janeiro de 2026, a ERSE fixou 0,1654 €/kWh na tarifa simples. Na bi-horária, 0,1087 €/kWh nas horas de vazio e 0,1988 €/kWh nas restantes. São preços antes de IVA.

Faça a conta, com os 23%: 17 x 0,1654 x 1,23 = 3,46 € por 100 km na simples. Na bi-horária, 17 x 0,1087 x 1,23 = 2,27 € se o carregamento cair todo no vazio, e 17 x 0,1988 x 1,23 = 4,16 € se cair nas restantes horas.

O Código do IVA aplica 6% aos primeiros 200 kWh de cada período de 30 dias (300 kWh em agregados de cinco ou mais pessoas), para potências contratadas até 6,9 kVA, e 23% ao resto, sem contar as componentes fixas. Esses kWh são os da casa toda, por isso quem carrega o carro em casa passa o limite com facilidade e paga 23% pelo que ultrapassar. Se os 17 kWh ainda couberem dentro dele, a simples dá 17 x 0,1654 x 1,06 = 2,98 €.

Estas são tarifas reguladas. Muitas casas estão no mercado livre, com outros preços: use o da sua fatura. Não contámos a potência contratada, as outras taxas da fatura nem o custo do carregador. Comparando com a rua, 3,46 € em casa na simples ficam abaixo dos 5,78 € da mediana AC. Os 10% mais baratos da rede pública (até 0,10 €/kWh, só a componente por kWh) ficam abaixo do preço da energia em casa, mas dependem de cada ponto e do que cobra por minuto.

A tarifa bi-horária compensa para carregar o carro?

Depende da parte da sua eletricidade que consome nas horas de vazio, porque as restantes horas custam mais do que a tarifa simples. Com os preços da ERSE, a bi-horária só fica abaixo da simples se mais de cerca de 37% dos kWh forem consumidos no vazio: 0,1087 x 37% + 0,1988 x 63% dá 0,1654 €/kWh, o preço da simples. A percentagem é de toda a casa, não só do carro.

A conta é nossa e vale para o preço da energia antes de IVA. A potência contratada custa o mesmo nas duas opções no quadro da ERSE (0,3659 € por dia nos 6,9 kVA), por isso não entra na comparação. As horas de vazio são as do ciclo horário do seu contrato: confirme-as com o comercializador. Não recomendamos uma tarifa; faça a conta com a sua fatura e com as horas a que realmente carrega.

Quanto custa carregar um carro elétrico na Galp?

Na Galp, a mediana do preço ad hoc publicado pela MOBI.E é de 0,60 €/kWh, em 2.511 pontos com preço por kWh, no estado lido às 16:04 de 4 de outubro de 2026. Dá 0,60 €/kWh nos pontos AC, 0,60 nos DC abaixo de 150 kW e 0,65 nos de 150 kW ou mais. Aos 17 kWh por 100 km, são 10,20 € por 100 km à mediana.

A Galp é o operador com mais pontos na rede: 3.748, em 1.724 locais, nesse dia. A página da Galp mostra os totais por distrito e os postos mais potentes, com o preço de cada um. O nome serve só para identificar o operador, sem preferência nossa. Com o cartão de um comercializador, o preço pode ser outro.

Onde carregar um carro elétrico mais barato?

Não há um operador nem um posto mais barato para toda a gente, porque o preço muda com o ponto, a potência e o cartão que usa. As medianas da componente por kWh dos quatro operadores com mais pontos com preço, a 4 de outubro de 2026, mostram o intervalo; podem não incluir o que o operador cobra por minuto.

  • Galp: 0,60 €/kWh, em 2.511 pontos.
  • EDP: 0,10 €/kWh, em 1.960 pontos.
  • Powerdot: 0,34 €/kWh, em 1.326 pontos.
  • Atlante: 0,49 €/kWh, em 1.234 pontos.

Como comparar antes de carregar

A diferença entre 0,10 e 0,60 €/kWh é grande, mas o preço por kWh não diz tudo: um ponto que cobre também por minuto pode sair mais caro num carro que carrega devagar. Na tabela, os pontos DC de 150 kW ou mais (0,37 €/kWh) têm uma mediana abaixo da dos DC mais lentos (0,49 €/kWh), mas só medimos a componente por kWh, por isso não tiramos daí que mais potência custe menos.

Veja a tabela completa em preços de carregamento, a lista de operadores, os carregadores rápidos e os mais próximos de si. Confirme que a ficha do posto é a do seu carro, por exemplo a CCS. Numa viagem, o planeador de viagem tem um modo elétrico que escolhe as paragens nos carregadores rápidos pelo menor tempo total, não pelo preço.

Se quer a conta dos combustíveis ao lado, o artigo quanto custa fazer 100 km usa consumos homologados de modelos concretos; aqui juntámos o preço dos postos públicos e o que entra na fatura.

Quem escreveu

Miguel Diamond Vale

Miguel Diamond Vale, da Nortex Labs, que faz o combustivel.com.pt. Os números vêm de fontes oficiais, citadas acima, e dos preços que os postos comunicam à DGEG. Atualizado a . O preço na bomba manda: confirme sempre no posto.

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