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Quanto custa uma viagem de carro: calcular o combustível

O combustível de uma viagem são os litros que ela gasta vezes o preço do litro. Mostramos a fórmula, o exemplo de Lisboa ao Porto com os preços comunicados à DGEG até às 15:20 de 4 de outubro de 2026, as razões por que a conta real costuma sair mais alta, as portagens, que a página estima à parte, e o que ela diz do carro elétrico.

Carro sem marca visível, visto de trás, numa autoestrada portuguesa ao anoitecer, com as luzes traseiras acesas e o céu cor de laranja ao fundo

Como saber o custo de uma viagem de carro?

Multiplique os litros que a viagem vai gastar pelo preço do litro no posto onde abastece. Os litros saem de dois números, a distância e o consumo do carro.

A distância tem-na em qualquer mapa. O consumo mede-se: encha o depósito, faça quilómetros, encha outra vez, e divida os litros que entraram pelos quilómetros feitos, vezes 100. O preço do litro é o do posto, que muda de posto para posto.

  • Litros = distância em km x consumo em L/100 km / 100.
  • Custo do combustível = litros x preço por litro.

Como calcular o preço por km?

Multiplique o consumo aos 100 km pelo preço do litro e divida por 100. Com gasóleo a 2,263 €/L e um carro que gasta 6,0 L/100 km, 6,0 x 2,263 / 100 dá 0,136 € por km, ou 13,58 € aos 100 km. Os dois números vêm do exemplo da secção seguinte.

Para a viagem toda, multiplique pelos quilómetros. O preço por km só mede combustível. O artigo sobre quanto custa fazer 100 km faz esta mesma conta com carros de catálogo, a gasolina, a GPL e elétricos.

Um exemplo com dados reais: Lisboa ao Porto, a 4 de outubro de 2026

A página Lisboa ao Porto dá 316 km e 3 h 10 min de condução. O carro de exemplo tem depósito de 50 L, gasta 6,0 L/100 km, parte com 20 % do depósito e chega com 20 %. A mediana do gasóleo nos postos junto ao percurso (a mediana do corredor, como lhe chama a página) era de 2,263 €/L, com preços comunicados à DGEG até às 15:20 de 4 de outubro de 2026.

A conta simples, feita por nós com essa mediana: 316 x 6,0 / 100 = 18,96 litros, e 18,96 x 2,263 = 42,91 €.

A página indica 38,61 €, em 19,2 litros e 2 paragens. A diferença, 4,30 €, vem do preço. A página escolhe onde abastecer e paga em média 2,011 € por litro (38,61 a dividir por 19,2), abaixo dos 2,263 da mediana: um posto em Vila Franca de Xira a 2,089 €/L e outro em Ourém a 1,999 €/L, este com o preço comunicado a 1 de outubro, às 12:15. A página soma 4,84 € de poupança face à mediana do corredor, e os desvios (0,8 km e 2,5 km, ida e volta) gastam cerca de 0,2 litros, por isso os litros quase não mudam: 19,2 contra 18,96.

A página conta só o combustível que compra no caminho, porque o que já estava no depósito à partida foi pago antes. Neste exemplo, parte e chega com 20 %, por isso o que compra é o que gasta e as duas contas são comparáveis. Se partir com o depósito cheio e chegar com 20 %, a página mostra menos do que a fórmula simples, porque parte do combustível da viagem já estava pago.

Quantos km faz 1 litro de gasóleo?

Divida 100 pelo consumo: um carro que gasta 6,0 L/100 km faz cerca de 16,7 km com um litro de gasóleo. A 7,0 L/100 km, são 14,3 km. Não existe um valor único, depende do carro e de como o conduz, por isso o que conta é o consumo que mediu no seu.

Quanto gasta um carro aos 100 km?

Depende do carro, e o valor de catálogo costuma ficar abaixo do real. O WLTP é um ensaio de laboratório. A Comissão Europeia comparou-o com o consumo medido nos próprios carros: nos matriculados em 2022, a diferença média foi de 21,1 % na gasolina e de 17,1 % no gasóleo (dados publicados a 26 de julho de 2024). O artigo sobre quanto custa fazer 100 km faz a conta com consumos de catálogo de carros concretos.

Se os 6,0 L/100 km do nosso exemplo fossem um valor de catálogo a gasóleo, o consumo real médio andaria nos 7,0 (6,0 x 1,171), e a viagem Lisboa-Porto, à mediana de 2,263 €/L, subiria de 42,91 para cerca de 50,24 €. É uma média europeia, não o seu carro: meça o seu.

O que mais faz subir a conta?

A velocidade é o que mais pesa: segundo a DGEG, por cada aumento de 10 km/h a partir dos 90 km/h, o consumo pode subir até 10 %; é um máximo, não uma regra. A nossa calculadora não modela a velocidade nem o trânsito: usa o consumo que lhe der. Os restantes hábitos estão em dez formas de gastar menos combustível.

Depois, o posto. A 4 de outubro de 2026, às 15:20, a mediana do gasóleo no continente era de 2,259 €/L, o posto mais barato cobrava 1,939 e o mais caro 2,449, segundo os preços comunicados por 2.867 postos à DGEG e reunidos na página do gasóleo.

Mas um posto barato só compensa se não ficar longe. A calculadora só olha para postos até ao desvio máximo do percurso (5 km em linha reta no exemplo, ajustável), multiplica por 1,3 essa distância porque as estradas não são retas, conta a ida e a volta, e inclui no que há para comprar o combustível gasto nesse desvio. Faça a mesma conta à mão: 10 km de desvio, ida e volta, gastam 0,6 litros a 6,0 L/100 km, ou 1,36 € a 2,263 €/L. Com 30 litros para meter, o posto desviado tem de ser mais de 4,5 cêntimos por litro mais barato só para empatar, sem contar o tempo. Para escolher, veja os mais baratos e os postos perto de mim.

Como posso calcular as portagens?

A calculadora estima-as à parte do combustível, para a classe 1 (carros ligeiros), com a tabela de 2026 do IMT e sem descontos Via Verde. No exemplo de Lisboa ao Porto são 25,05 € pela A1, o que soma 63,66 € com os 38,61 € de combustível, a 4 de outubro de 2026. A entrada e a saída são as do percurso traçado: se sair noutro nó, o valor muda.

Para outra classe de veículo, ou para confirmar um percurso, o simulador oficial é o Calculador de Portagens da Infraestruturas de Portugal. O site PT Tolls, da mesma entidade, remete para ele: «Consulte o simulador de portagens antes de efetuar a sua viagem e saiba qual o valor total das taxas.»

Na forma de pagar há uma diferença que entra na conta. Segundo o PT Tolls, a 4 de outubro de 2026, nas autoestradas só com sistema eletrónico, pagar depois da passagem (CTT, Payshop ou referência Multibanco) acresce custos administrativos de 0,32 € por viagem, até ao máximo de 2,56 € por ato de pagamento. Com o identificador Via Verde, não acrescem custos administrativos sobre as taxas. O total da viagem é o combustível, mais as portagens e esses custos, se pagar depois.

E num carro elétrico?

Sim, a calculadora tem um modo elétrico, que estima as paragens para carregar, o tempo total e o custo do carregamento. No exemplo de Lisboa ao Porto (bateria de 60 kWh, 17 kWh/100 km, CCS até 150 kW, a partir de 80 % da bateria e a chegar com 15 %), a página dá 3 h 21 min no total, com uma paragem em Pombal para carregar 15,0 kWh em cerca de 6 minutos.

O custo estimado do carregamento é de 9,75 €, a 0,65 €/kWh, o preço ad hoc publicado pela MOBI.E (o valor máximo de cada componente do tarifário, com IVA), com o estado dos carregadores lido às 16:04 de 4 de outubro de 2026. É uma estimativa: a potência de carga baixa a partir de 50 % da bateria, cada paragem leva 5 minutos a estacionar, ligar e pagar, e um carregador livre na última leitura pode estar ocupado quando chegar. O efeito da velocidade e da temperatura no consumo também não está modelado.

Segundo a MOBI.E, cada operador pode cobrar por kWh, por minuto e por carregamento, e o tarifário está sempre publicitado no posto.

Onde abastecer mais barato pelo caminho?

Na calculadora de viagens: escolha partida e destino, o depósito, o consumo e o que tem no depósito, e ela devolve o custo e as paragens, cada uma com o preço e a hora a que o posto o comunicou à DGEG. Para os percursos mais comuns há páginas já calculadas, como a de Lisboa ao Porto, acima, e Porto a Faro, que a 4 de outubro de 2026 dava 554 km, 5 h 23 min e 68,08 € de combustível numa paragem.

Se só quer saber quanto custa atestar, a conta está em quanto custa encher o depósito. O preço na bomba manda: confirme sempre no posto.

Quem escreveu

Miguel Diamond Vale

Miguel Diamond Vale, da Nortex Labs, que faz o combustivel.com.pt. Os números vêm de fontes oficiais, citadas acima, e dos preços que os postos comunicam à DGEG. Atualizado a . O preço na bomba manda: confirme sempre no posto.

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