O que é o GPL Auto?
GPL quer dizer gás de petróleo liquefeito. Nos carros, é uma mistura de propano e butano que fica líquida sob pressão dentro de um depósito e é usada em motores a gasolina adaptados. Nos postos aparece como «GPL Auto» (também chamado autogás), e o seu preço é reportado à DGEG como o de qualquer outro combustível.
Em Portugal, a lei admite o GPL e o gás natural como combustível em veículos especificamente homologados ou devidamente adaptados. O enquadramento é a Lei n.º 13/2013, de 31 de janeiro, e a Portaria n.º 207-A/2013, de 25 de junho, citadas pela DGEG. O IMT, na sua página sobre o GPL, cita a Portaria.
Quanto custa o litro de GPL Auto?
O preço do GPL muda de posto para posto e de dia para dia, por isso não escrevemos aqui o valor de hoje: num artigo ficaria desatualizado em poucas semanas. O valor certo é o que os postos comunicam à DGEG, e mostramo-lo com a data de atualização na página do GPL Auto, onde também vê o gráfico do histórico do preço e os postos que o comunicam.
Para ter uma ordem de grandeza, compare o preço de hoje do GPL com o da gasolina 95, ambos com a data da DGEG.
Para encontrar o posto mais barato junto de si, abra perto de mim. O preço na bomba é o que manda: confirme sempre no posto.
Que impostos pesam no preço do GPL?
Como em qualquer combustível, parte do que paga é imposto. Sobre o GPL Auto incidem o IVA e o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), que a Autoridade Tributária fixa por 1000 kg e não por litro. A tabela de taxas de 2025 da Autoridade Tributária lista ainda um adicionamento sobre as emissões de CO2 para o GPL. Estas taxas são fixadas por lei e por portaria e mudam de ano para ano, e não confirmámos os valores de 2026 numa fonte oficial, por isso não escrevemos valores aqui. Consulte os que estão em vigor no Portal das Finanças.
Os impostos são só um dos elementos do preço. Para ver os outros, leia o nosso artigo como se forma o preço dos combustíveis, que explica a conta toda.
Vale a pena? O consumo sobe, o preço por quilómetro pode descer
O GPL tem menos energia por litro do que a gasolina, por isso o motor gasta mais litros para fazer o mesmo caminho. O Diário Automóvel, do Standvirtual, indica um consumo entre 10% e 30% superior ao da gasolina, e dá um exemplo de um Dacia Duster bi-fuel que gasta 8,4 litros aos 100 km a GPL contra 6,3 a gasolina, cerca de 33% a mais.
A conta que interessa não é o preço do litro, é o custo por 100 km: consumo em litros aos 100 km multiplicado pelo preço do litro. Faça essa conta com o consumo real do seu carro e o preço de hoje do GPL e da gasolina, e compare. Se a diferença por 100 km for pequena, a conversão demora mais a pagar-se.
Para decidir, junte ainda o custo da conversão e os quilómetros que faz por ano: divida o custo da conversão pela poupança a cada 100 km e multiplique o resultado por 100: tem assim os quilómetros que precisa de fazer para recuperar o investimento. Quem faz poucos quilómetros pode nunca lá chegar.
Como se converte um carro a GPL, passo a passo
O IMT descreve o processo na página sobre a alteração para combustível GPL. Só pode mandar fazer a adaptação numa entidade reconhecida para o efeito. O IMT mantém publicada a lista de instaladores e reparadores de GPL, que na página indica atualização a 2 de janeiro de 2025 (consultámo-la a 3 de outubro de 2026).
- Escolha um instalador que conste da lista do IMT e peça-lhe o certificado de instalação do sistema de alimentação a GPL, emitido nos termos do anexo I da Portaria n.º 207-A/2013.
- Apresente o carro a uma inspeção extraordinária num centro de inspeção da categoria B. Se for aprovado, o centro emite o certificado do Modelo 113. Segundo o IMT, a ficha de aprovação em inspeção extraordinária só é válida durante 90 dias úteis (n.º 5 do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 29/2023, de 5 de maio), por isso não deixe passar muito tempo até entregar o pedido.
- Entregue o pedido de regularização nos serviços regionais ou distritais do IMT, com o impresso Modelo 9 IMT, o certificado de instalação, o certificado do Modelo 113, os documentos do veículo e o seu documento de identificação.
- O IMT verifica a conformidade e emite um novo certificado de matrícula, que segue para o proprietário. A taxa do pedido é de 50 euros, com 10% de desconto (45 euros) se o pedir pelo IMT Online.
Quanto custa converter?
O Diário Automóvel, numa análise de outubro de 2025, indica que um sistema GPL certificado custa entre 1.600 e 2.000 euros, e noutra peça de novembro de 2025 dá uma gama mais larga, de 1.000 a 3.000 euros. A diferença depende do carro e do sistema, por isso peça mais de um orçamento por escrito, indicando o modelo e o motor.
A mesma fonte diz que a garantia do sistema é geralmente de dois anos. Pergunte ao instalador o que está incluído, porque a garantia é uma condição do contrato e varia de oficina para oficina.
Posso converter qualquer carro?
Não. O Diário Automóvel avisa que nem todos os motores são compatíveis com GPL, em particular alguns turbo de injeção direta. Em carros a gasóleo, a mesma fonte diz que a conversão é tecnicamente possível mas pode ultrapassar os 3.000 euros, passa por mexer nas cabeças dos cilindros ou usar sistemas híbridos, há poucas oficinas que a fazem e não compensa, porque a diferença de preço entre GPL e gasóleo é menor.
Antes de pagar qualquer coisa, pergunte ao instalador, por escrito, se o motor do seu carro aceita o sistema e que tipo de sistema recomenda.
Onde estacionar um carro a GPL?
Até 2013, os carros a GPL estavam proibidos de entrar em parques cobertos. A DECO Proteste explica que, nesse ano, uma nova lei abriu a porta a veículos com outros combustíveis em parques fechados e subterrâneos, desde que os parques sejam ventilados e cumpram o regulamento de segurança publicado em 2008. A condição não está só no parque: segundo a DECO, os carros a GPL mais recentes trazem um selo que atesta a construção segundo as regras técnicas de 2013, e com esse selo respeitam os requisitos para estacionar em qualquer parque. Se o seu carro é mais antigo ou foi convertido, pergunte ao instalador ou ao IMT se cumpre os requisitos de 2013.
Na prática há uma dificuldade: a DECO nota que os parques não são obrigados a adaptar-se (e muitos não o fizeram), que não foi criada sinalética para identificar os parques onde os carros a GPL recentes podem entrar, e que alguns parques retiraram os avisos de proibição e outros não. O conselho da DECO é simples: na dúvida, veja se há aviso de proibição à entrada. Esta informação é de 2015, por isso confirme com o gestor do parque.
Postos, depósito e autonomia
O depósito de GPL ocupa habitualmente o lugar do pneu suplente ou parte da bagageira, segundo o Diário Automóvel, e isso significa perder espaço de carga. Num exemplo que a mesma publicação analisou, o depósito tinha cerca de 34 litros úteis, e o carro, por ser bi-fuel, muda sozinho para gasolina quando o GPL acaba.
O Diário Automóvel (novembro de 2025) refere mais de 340 postos de GPL em Portugal e avisa que, em zonas interiores ou rurais, a cobertura pode ainda ser insuficiente. Antes de uma viagem longa, veja na página do GPL Auto os postos que comunicam preço de GPL e, perto de si, em perto de mim.
Em resumo
O GPL Auto troca um preço por litro mais baixo por um consumo mais alto, um investimento inicial e uma rede de postos limitada. Faça a conta aos 100 km com o preço de hoje, confirme se o seu motor é compatível e peça o orçamento por escrito antes de decidir.





